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Neste 18 de maio, um alerta importante: a violência atinge principalmente a primeira infância

violência na primeira infância

Imagens geradas por IA/Wynitow Butenas

Ao completar 20 anos, a Campanha Pra Toda Vida — A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças e Adolescentes, do Hospital Pequeno Príncipe e que conta com o apoio da Associação Eunice Weaver do Paraná (AEW-PR), ganha ainda mais relevância diante de um cenário que se repete ano após ano em todo o país: a violência contra crianças é precoce, recorrente, e, na maioria dos casos, acontece dentro de casa. Ao longo de duas décadas, já são mais de dez mil casos atendidos, um volume que não apenas revela a dimensão do problema, mas permite identificar padrões consistentes.

Somente em 2025, o Hospital registrou 637 atendimentos de bebês, crianças e adolescentes com suspeita de maus-tratos e abusos. A análise desses atendimentos mostra que a violência sexual segue como principal ocorrência, presente em 64% das situações, e atinge majoritariamente crianças na primeira infância: 67% das vítimas tinham até 6 anos, sendo que uma em cada três tinha até 3 anos. Ao mesmo tempo, 72% das agressões ocorrem no ambiente doméstico, e 24% dos registros apresentam recorrência — indicando que a violência, muitas vezes, não é um episódio isolado, e sim um ciclo que se repete ao longo do tempo.

O desenvolvimento infantil exige um ambiente que ofereça alimentação adequada, espaço para repouso, segurança, proteção, afeto e oportunidades de interação. Contudo, em ambientes marcados pela violência, a situação se inverte. “Seja a violência direta contra a criança, como agressões físicas, verbais ou sexuais, ou a violência entre familiares, como agressões verbais entre os pais ou a presença de violência doméstica, a criança se encontra em um ambiente que não proporciona as condições necessárias para seu desenvolvimento pleno”, explica o psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Faculdades Pequeno Príncipe, Bruno Jardini Mäder.

Como o desenvolvimento é afetado com a violência na primeira infância?

A ciência já demonstra que a violência na primeira infância não é apenas um evento pontual. De acordo com o Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, situações de abuso, negligência ou violência geram o chamado “estresse tóxico”, que pode alterar a arquitetura do cérebro em formação, prejudicando funções essenciais como memória, aprendizagem e controle emocional.

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a violência na infância está associada a prejuízos no desenvolvimento cognitivo, dificuldades escolares e maior probabilidade de problemas de saúde mental ao longo da vida.

“A violência sofrida na primeira infância pode ter impacto profundo e duradouro no desenvolvimento da criança, porque esse é um período de intensa maturação cerebral. Por isso, proteger a criança nos primeiros anos é uma medida essencial de promoção de saúde e desenvolvimento”, avalia o neuropediatra Anderson Nitsche, do Hospital Pequeno Príncipe.

Na prática, isso significa que a violência não termina quando o episódio acaba. Ela pode comprometer o crescimento e a saúde emocional da criança e perpetuar ciclos de vulnerabilidade na vida adulta.

O papel da sociedade na identificação da violência

Esse conjunto de evidências aponta para um cenário complexo: a violência é, ao mesmo tempo, íntima, silenciosa e difícil de ser identificada, especialmente porque atinge vítimas que ainda não conseguem compreender ou relatar o que vivem. Por isso, o enfrentamento passa necessariamente pelo olhar atento de adultos e pela atuação qualificada da rede de proteção.

Assim, uma das frentes da iniciativa é fortalecer a capacidade de adultos reconhecerem sinais de alerta e compreenderem que a denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo de agressão. Para isso, identificar mudanças de comportamento pode ser decisivo.

violência na primeira infância

Quais os sinais de violência em crianças e adolescentes?

Muitas vezes, as crianças não conseguem verbalizar o que estão vivendo. Por isso, é essencial estar atento a sinais físicos, comportamentais e emocionais.

⚠️ Mudanças comportamentais e emocionais

  • Mudança brusca de comportamento
  • Irritação, agressividade (reprodução de agressões)
  • Tristeza, isolamento, insegurança, culpa ou medo exagerado
  • Choro frequente, inclusive durante a noite
  • Recusa ou dificuldade para dormir
  • Gritos acompanhados de sons como batidas
  • Desinteresse por atividades antes prazerosas
  • Reações como retração ou mutismo (silêncio excessivo)
  • Queda no rendimento escolar

⚠️ Alterações físicas e de saúde

  • Excesso ou falta de apetite
  • Retorno da evacuação nas roupas (mesmo após desfralde — pode ocorrer até na adolescência)
  • Autolesões (machucar-se de forma intencional)
  • Lesões na pele incompatíveis com a idade ou com marcas de arcada dentária adulta
  • Hematomas em diferentes partes do corpo e com colorações variadas
  • Fraturas em áreas sensíveis, como articulações, costelas, crânio ou dentes
  • Tentativa de esconder marcas no corpo
  • Aparência de má higiene

⚠️ Sinais no ambiente digital

  • Isolamento, irritabilidade ou choro logo após o uso de dispositivos eletrônicos
  • Exclusão repentina de contas em redes sociais ou aplicativos

Como acolher?

É fundamental agir com sensibilidade, cuidado e responsabilidade.

  • Crie um ambiente seguro, acolhedor e sem julgamentos.
  • Escute com atenção e acredite no relato da criança ou adolescente.
  • Não pressione nem faça muitas perguntas — respeite o tempo de cada um.
  • Valide emoções como choro, raiva ou silêncio com acolhimento.
  • Reforce que a criança ou o adolescente não está sozinho.

violência na primeira infância

Denunciar é proteger

A denúncia é o primeiro passo para interromper a violência — e pode ser feita de forma anônima por meio dos canais a seguir.

Acesse os conteúdos da Campanha Pra Toda Vida e saiba como agir.

Fonte: Hospital Pequeno Príncipe

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Plano Nacional pela Primeira Infância (PNPI)

A Rede Nacional Primeira Infância entrega ao Governo e à sociedade brasileira sugestão de Plano Nacional pela Primeira Infância, que propõe ações amplas e articuladas de promoção e realização dos direitos da criança de até seis anos de idade nos próximos doze anos

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