
Hanseníase: o controle da doença começa com o fim do preconceito!
O folder traz informações importantes sobre hanseníase, como o que ela é, o que ela faz e o seu tratamento.

Fotos por Camila Hampf
A Associação Eunice Weaver do Paraná (AEW-PR) dá continuidade à série especial “Nossa história”, cujo objetivo é divulgar um presente valioso que a instituição recebeu no segundo semestre de 2025: documentos históricos que ajudam a contar a história da Associação. Esses materiais foram entregues à atual diretoria pelo presidente benemérito da AEW-PR, Rubens Pinho.
Em uma folha de almaço, com data de 16 de outubro de 1947, Maria Rosa Mattke relata uma visita realizada, durante a Semana da Criança, ao Educandário Curitiba, que funcionava no terreno de propriedade da hoje Associação Eunice Weaver do Paraná. No local, moravam crianças e adolescentes que foram separados de seus pais, que tinham hanseníase. Essa segregação ocorria à época por causa do isolamento compulsório determinado pelo governo federal a pessoas com a doença — algo que perdurou até a década de 1980.
Maria Rosa era do Grupo Escolar Conselheiro Zacarias e escreveu uma carta com duas páginas destinadas ao “estimado mano Jorge”. Nela, afirmou que o Grupo Zacarias e as crianças de outros grupos foram escolhidos para visitar o Educandário Curitiba, inaugurado na época do governo do interventor Manuel Ribas. “Lá chegando, fomos amavelmente acolhidos pela professora do grupo primário. As crianças muito bem alinhadas olhavam-nos curiosas. Ficaram muito contentes com a nossa visita”, relatou.
Ela disse que os representantes do Grupo Escolar Conselheiro Zacarias foram os primeiros a chegar e foi detalhando o que viu durante a visita. Do momento da refeição na sala de jantar ao período das atividades nos pátios onde as crianças brincavam; da biblioteca ao consultório médico (chamado gabinete médico); da sala de operações ao chamado gabinete dentário. Também foram citados os dormitórios dos meninos e das meninas, a sala de música, a sala de costura e as salas nas quais ficavam os bebês recém-nascidos e as crianças com 2 e 3 anos, entre outros espaços.
Em um trecho da carta, Maria Rosa citou o local de isolamento, “onde estava dormindo um menininho com sarampo”. Já sobre a sala dos bebês, ela afirmou que “chamou-me mais a atenção uma criancinha de 15 dias, mais ou menos”. Ao continuar a visita, ela descreveu a sala de espera e o gabinete no qual se reuniam as diretoriais.
Todos os momentos desse dia especial foram registrados. “O Educandário Curitiba ficou cheio de crianças dos diversos grupos que lá foram. A cena foi filmada e alguns grupos também prepararam recitativos para alegrar os filhos dos lázaros [como as pessoas que tinham hanseníase eram chamadas à época]”, escreveu Maria Rosa.
Para finalizar a carta, a autora teceu diversos elogios à instituição. “Como é bonito e limpo o Educandário! É natural que o povo paranaense dele se orgulhe e homenageie a memória daquele cujo coração bondoso não esqueceu dos filhos sadios dos lázaros, dando-lhes educação e instrução escolar e doméstica. O povo paranaense, tomando como exemplo esse grande coração de seu fundador, continua a obra elaborada por ele, cada vez mais aperfeiçoada. Querido irmão, fiquemos sócios dessa instituição e colaboremos com eles para maior orgulho nosso”, concluiu.
– Veja também: documentos contam a trajetória da Associação Eunice Weaver do Paraná
Confira a seguir fotos da carta de 1947.

O folder traz informações importantes sobre hanseníase, como o que ela é, o que ela faz e o seu tratamento.

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Manuscritos, materiais de divulgação e registros históricos foram doados à instituição pelo presidente benemérito da Associação Eunice Weaver do Paraná, Rubens Pinho. Clique aqui e saiba mais sobre esses documentos